quinta-feira, maio 11

dores de olhares


(fotografia de Patricia Sucena de Almeida)


Dói-me.
(Não sei o quê… )
Dói-me,
a palavra e o olhar.
Cousas estranhas de se doer. Mas a imagem anda por aí,
demente,
a explodir em palavras.
Elas à frente.
Foi ele (olhar) que explodiu,
nelas.
Elas ficaram doidas e sem sentido.
Estão magoadas,
sentidas…
Não foram avisadas que seriam assim expelidas em estilhaços de orvalho (redondos) da imagem. (Só pode ser uma imagem cubista... Cubista e suicida!)
Não há nada a fazer quando nos explodem os olhos,
rebentados de Ver!
Vou fechá-los, para as palavras sossegarem e se deixarem de dores…

quarta-feira, maio 10

descidas, ou a ilusão de uma subida...ou coisa nenhuma

Subi à torre e vi o Sol…
Subi ao sol e morri…(de mim?)

In “apontamentos para um ( ou dois?) manual da serenidade”, ou como a dimensão da nossa subida, não deve nunca perder a linha do horizonte, ou como só devemos subir até onde os nossos olhos alcançam… Quando o horizonte deixa de existir, é porque esvoaçamos em queda ( não conta que exista horizonte para de lá...)

segunda-feira, maio 8

o desenho de uma invenção

Conheci um Homem ( grande coisa essa, “tá” parvo o rapaz!) . Inventado ( eu não digo!). No nome. Não sei razão. Talvez nenhuma.
Era um homem, com toda a sua árvore. Também ela inventada. Nos nomes.
Era um homem encurvado para o céu.
Lia poemas nas nuvens como se eles ( poemas ) existissem!
Era piroso (pronto, o rapaz danou-se!).
Transportava todas as cores, vivas, atrás dos olhos, e desenhava-as, todas, nas gravatas, que usava.
Não há nada mais piroso que todas as cores. Vivas. Penduradas numa gravata. Mas lia poemas como se existissem. Como se fossem vivos. Os poemas. Como se tivessem cores, Desenhadas, Nas nuvens. As cores desenhadas nas nuvens, mesmo que vivas, não são pirosas.
Era um homem esquisito.
Encurvado para o céu, com a gravata ( pirosa) a cair-lhe, pendurada pelas costas. Era um homem do avesso. Inventado.
Conheci-o. Hoje, mas o Hoje não tinha nuvens no céu. Era inventado. O Homem. talvez, só no Nome, ou nas cores com que lia os poemas no céu.

sexta-feira, maio 5

esvoaços

Servi-me de uma chávena-de-sol. Quente que baste para me vaporar no sonho do-não-estar-aqui.
Disperso-me no aroma que invade ( sem licença ) o sentir de me imaginar um duende-de-ibis
e
fingir-me não-ser, (pedaço-mágico-do-invisivel).
Fantasma de mim,
como um seixo multicolor de um rio que se redonda em águas
e
se transforma em onda-colibri que esvoaça entre pólenes de rosas do deserto

quinta-feira, maio 4

sem ângulo

Não vale a pena pôr-me de pernas-para-o-ar para ver uma nuvem, nem para Me olhar fora do espelho.
Seja qual for o ângulo, serão sempre nuvens,
ela
e
eu!

quarta-feira, maio 3

moagens de luz

Semearam moinhos-de-luz nas montanhas e elas, elefantes-rocha, levadas pelas hélices, sobem ao céu-nuvem-de-primavera-criança, em navios alados-de-ilusão...

( avisto,
ainda, terras de Marão dentro dos olhos que não me dormem…)

terça-feira, maio 2

sussurro...unico

Os cristais das árvores, disseram-me no sussurro do vento “ ...pinta-azul, no de lá da sombra! Fecha os lhos do sonho e desenha uma flor! Uma. Só. Para que seja Única e nunca te seja! Tua!
Desenha-A! Só!...”
Desenhei-A! Amarelo-Sol! Única! ( para que me queime o querer que seja. minha!)

porque a tranformação não tem nome, nem hora

Primeiro, pensei, com a sinceridade do instante que era o Fim, de um olhar, de um caminho, mas ( no final) o caminho não o tem, (Como um fio...