quinta-feira, março 30

do avesso

(fotografia de Patrícia Sucena de Almeida)
Caminho no espelho que me amarra na sombra, preso nos gestos… olho-me invertido, quase sem grito e desenho-me revolto de não me saber no eu que me desordena o sentir e o VER…

quarta-feira, março 29

ao vento, com a loucura de Ser, ou a confusão de me passear vazio

Ah, esta loucura de me passear vazio, à procura do abismo que me persegue em sombra, vai acabar em aguarelas cinzas, matizadas de pétalas de papoilas-novas, em forma lágrima de palhaço que ri, a navegar na Nau Catrineta, com as velas a bolinar descobertas, nos labirintos que me preenchem o eu…

NOTA: não podia deixar de ser confuso, até para quem escreve, pelo que se aconselha a não leitura e deixar que o dia passe...

terça-feira, março 28

trilhos...

lancei uma pedra ao rio,
como quem se desembaraça do coração,
prendi-a
no leito,
no fundo do lodo,
(fria),
com as minhas próprias mãos,
tatuagem de um trilho,
ferida,
(rasgada no peito,
de um vagabundo de estrelas azul-mar
)
nas aguas que lavam
a dor
de quem respira
o (a)mar
com o sentir do olhar,
em jeito de oração…

segunda-feira, março 27

sem paragens

que o tempo não pare,
nem um segundo
ou momento
que corra no seu silêncio
e
me leve no eu
qual cavalo sem medo…

ah, esta ânsia de ser futuro,
não hoje,
nem ontem,
AGORA!
JÁ!
livre do amanhã que me prende o presente….

sábado, março 25

sem fado

sonhei com uma guitarra a escoar todas as cores de uma lágrima,
selvagem,
sem fado...
fecho os olhos, para lhe sentir as águas-de-um-som,
que não é canto,
nem poesia,
corre qual rio, sem margens,
nem lado,
suspiro de ninguém,
pura fantasia,
som de além
que chora
sozinho
calado…

quinta-feira, março 23

(des)orientações

sou marinheiro de nuvens
que,
cansadas
se deixam cair, exaustas de serem sonhos-de-anjos-sem-asas...

quarta-feira, março 22

ilusões do Eu

Abri um abismo e sepultei todos as sombras-que-me-habitam-em-fantasmas-de-névoa-cinza, como quem se ilude que semeia primaveras…

porque a tranformação não tem nome, nem hora

Primeiro, pensei, com a sinceridade do instante que era o Fim, de um olhar, de um caminho, mas ( no final) o caminho não o tem, (Como um fio...