porque a tranformação não tem nome, nem hora

Primeiro, pensei, com a sinceridade do instante que era o Fim, de um olhar, de um caminho, mas ( no final) o caminho não o tem, (Como um fio de teia ( de aranha ou de homem), mesmo quebrada, prende).
O horizonte, essa linha indefenida que desenha sonhos, permanece, e o que surgiu de um "Almaro" cansado de se equivocar nos eus, foi um Jeremias, meio palhaço, meio nada, transmutado no caminho, mas sem se enganar com o que via ( sentia),pois o que levava no olhos, era o ir.
Assim, quase do nada, mas carregando o horizonte, tropecei em JEREMIAS.
Fui invadido por um nevoeiro de palavras.
Brancas.
Opacas, iguais.
Preso no labirinto de não me ser novo,,,(Sonho nocturno da angustia de ser tempo gasto, morto nas voltas de um Tempo espesso. Parado. Estrela escondida no eclipse da alma. )
Paro!
Apenas respiro, como quem procura odores, ou cores. Tudo o mais é branco. Negro (?). Tanto Faz. É igual a monotonia das palavras que se transformam num som repetido, lento. Morto.
Fujo!
De mim (?)
Não sei. Não me vejo, neste nevoeiro, branco que me fere o sentir.
Olho o muro, (labirinto?) cheio de palavras. Todas as palavras. Empacotadas em papel pardo. Iguais. (Mutação de Kafka ?). As palavras iguais, são moscas. Zumbem um som de morte. Branco? Negro? Denso? Baço!
Confundo o muro com o horizonte! Estou perdido, no eu e nas palavras. Desconheço-me! Desencontro-te!
Respiro. Ainda. Na lentidão de quem se perde no labirinto de si!
Até as asas são de palavras de papel. Iguais a todas as asas de papel, desenhadas na ilusão de voarem na imaginação.
Passeio na silhueta do sol. Na intensidade do vazio que cega, sem sombras, sem Negros. Vazio! De palavras.
Só o novo se sente, tudo o resto é impulso, é respirar!
Vou!
Mais uma vez,
decido de vez!
Vou na incerteza de encontrar a palavra que voa, sem papel, no sentir, longe da imaginação!
Ah isto de ser lagarta a enrolar-se em teia de aranha, é cousa para que não nasci!
Vou, para o longe de mim.
Agora!
Já!
(antes que me encasule…)


Não sei quando volto. Se volto. Pouco importa. Não há porta, nem janela.

Adeus, almaro…


Desde que nasci, que ando curioso de saber como se escreve a Palavra FIM.
Afinal tem três letras, e um ponto. O ponto é maior que a palavra, porque esse é FINAL!


Será esta a sensação da morte??? Livre de mim??????

That Old Devil

Chegado a casa, no fim de um dia sem história, em cima da minha mesa de estudos, estava um embrulho, pacatamente pousado, como quem espera um afecto ou um afago.
Adivinhava-lhe o conteúdo, por isso olhei-o com ternura, expectativa e emoção.
Ali pousado na serenidade de um tempo que parou, estava o fruto de uma experiência de amizade.
Antes de o abrir, como quem precisa de um cigarro, coloquei em som de fundo um cd. Dessa "caixinha de musica" ( afinal tudo começa com uma caixinha...) evoluiu uma voz serena, que “melodiava” afectos. Foi essa voz, não da Billie Holiday, mas de uma outra mulher inconformada que lançou os laços de uma aventura escrita “That old devil“.
Recordo o carinho e a emoção, como fomos cada um de nós, lendo e relendo cada capitulo desta nossa aventura.
Lembro com angustia o desaparecimento da mãe de todo este envolvimento;
Lembro o sorriso que me fugiu quando dois anos depois, inconformada ainda, reapareceu a voz e a mulher que num determinado momento das nossas vidas foi nossa maestro;

Não é certamente uma obra literária, pois o que nos uniu, não foi necessariamente a escrita, foi o facto de não nos conhecermos e apesar disso nos sentirmos amigos de cada um que deixou a sua história escondida na história do “old devil”.
Hoje os tempos são outros. O almaro que participou nesta aventura morreu, cansado de sombras, cansado de correr atrás das suas cores. Outros que participaram na história há muito que se esconderam ou noutras personagens ou em personagem nenhuma.
Fica para a nossa própria história, este pequeno livro, fecundado por um amor estranho, sem nome, que nos uniu a todos num determinado instante das nossas vidas…
Um beijo sem tamanho para ti Inconformada, que tiveste a magia de seres inteira nesta aventura…

Nos passos que fundo na terra, oiço sussurros que me olham ( divertidos?)

Tenho no jardim arvore estranha ( sonhadora?).
dá frutos em forma de pássaro e é bizarra no falar ( não assobia escondida no vento, como todas as outras que falam,
gesticula com cores que esconde nos verdes e nas sombras...)
Hoje ando a passear os pássaros,,,andam por aí sem trela a saborear o sol e os azuis ( divertidos-de-amar) ,
Ah, como é difícil segui-los no voar, entre as asas de uma andorinha…

receituario para um esboço de sorriso

Pequei em sete folhas caídas ( sete!
com veias de rios secos. dormiam no chão, mortas de cansaço e de verdes
). triturei-as em pó (poeira d’arvore…
plátanos? castanheiros
?).
juntei água e moldei tudo, com vermelhos, amarelos e azuis (transparentes
de vazios), depois,,,depois larguei o molde no voar ( pássaro de mim,
colibri-do-mar
)

quando se escreve sem as palavras e apenas se desenha o que o espelho nos mostra

sorrio! ( hoje acordei despido de manhãs...)

abro a porta de uma noite, como quem desenha um eclipse

Canso-me de escrever o escuro ( na noite da alma), pinceladas ( sórdidas) de mim, como quem se estilhaça no eu, à procura de um fim…
Ah,
esta mania de levar nos passos a alma, vai acabar no abismo-profundo-do-silêncio, pendurado na solidão de um sonho que se perdeu dos azuis voláteis…

Não procuro o sonho nos passos que piso. Se o achar, não é sonho, é um desenho inacabado por colorir)

Tinjo de negro-andorinha a sombra que se rasteja no eu ( para ter certo que o sonho que pinto-e-vejo, não morreu...)

Sentei-me na terra, escura de sombras e de espantalhos, resguardado na luz que escapa dos orifícios dos botões,

(olhos em madrepérola-púrpura alinhavados na estopa que lhe dá a face, com cordas de harpa)

Esqueço. (Tudo). Na memória-dos-sorrisos, como quem cheira o vento e parte ( sem sentir o perigo
do desnorte)
no sentido das estrelas que embalam ( num abraço
de morte)
os pássaros que esvoaçam nas vestes ( amarelo-trigo) de um palhaço de olhos tristes. Esqueço,,,tudo…e vou descobrir os cristais que desenham as lágrimas...

corro no vento de um sonho que se desenha em sépias, na desventura de reinventar a fronteira do abismo

e colori-lo nas sombras do abutre que paira suavemente belo nos silêncios do existir

Queria sentir ( na exaustão de mim) a intensidade do escuro, Mergulhar para além do negro e deixar-me deslizar ( qual rio) no eu que se transmuta na noite que proíbe a luz e o cio!

as palavras choram em soluços, sem cor nem vontade. Pedaços de um nada que se engasgam na voz

as palavras,
têm silêncios de revolta.
as palavras,
estão presas em labirintos de aranha.
as palavras,
perdem-se submissas na multidão que lhes sangra os sentidos.
as palavras,
marulham como ondas num mar de vazios.
as palavras,
são terra arada num sol de sementes.
as palavras,
vão em passos perdidos do Um, em novelos de horizontes…

Há abismos que nos empurram para a vertigem do renascer com a dor de quem suicida o olhar

Cavo ( fundo), com uma enxada que me pesa nos braços, a escuridão de uma cor envergonhada, como quem sepulta uma semente abandonada de destinos…

Deixei escorregar as tintas em lágrimas de vento na lentidão de quem aguarda a transformação dos perfumes…

Pinto-te ( nos cabelos de mulher) , colorida de ventos, iludido que dançavas no desequilíbrio do sonho…

Procuro o vazio da alma, com a vontade animal de o preencher com o horizonte que se desenha entre a onda e a areia..

Parte de mim não existe, as outras perderam-se e o eu que me ilude a soma é um estilhaço colorido que esvoaça numa gaivota adormecida…

Desenho com os passos que os olhos levam, a calçada que sobe ao Chiado, onde me perco no labirinto de mim, entre livros e memórias...

Subo, lento a calçada da cidade ( em retrato a preto e branco, granulado, com reflexos a Sol),
Arrasto comigo as pedras de calcário e, subo lento, envergonhado,
cego de gente que caminha a meu lado( em silêncios áridos, calcados),
vou lento de olhar vendado, nas asas da memória que voa entra as asas de uma pomba-gaivota... Com os olhos de basalto subo, ao alto a calçada, abraçado ao vento…

...(III)

Procuro, na cidade, um espaço de luz e gaivotas. Escolho nos passos a sombra, o silêncio, para sentir o movimento, na pele...
(respiro,
como se mergulhasse na fantasia de existir)

..(II)

Tacteio, cego
o teu rosto,
gravo a imagem,
pele com pele, Onda de vento que aquece um suspiro…

(Por vezes, só ás vezes, paro nas palavras, na escuridão do sentir para te deixar passar sem perfume e fico ( só ás vezes) a sonhar…
Por vezes estremeço, ou esqueço o que vi e volto a acordar ( recordar?) no olhar que já vivi,
Por vezes, só por vezes, esqueço-me de ti…)

.(I)

Um ponto, Um só ponto e eu parava, mas há em mim uma revolta de existir, de dividir, em mil cores as sombras que me acordam, Estilhaços de pó, Um atrás do outro, São o meu caminho, moldado ao vento.
Um ponto, um só. Final…

ZECA

Simplesmente, recordo-te,
mais que o cantar,
o olhar doce de um menino-revolução,
recordo a tua figura de homem calmo que incendeia o mundo, mais que o poema,
recordo o homem que sentia a morte e se deixava ir na corrente da vida, com o coração...

"pamparariripam-pamparariripam, vamos cantar as janeiras, por esses quintais a dentro vamos, ás raparigas solteiras, pamparariripam-pamparariripam, pampampam..."

recordo o batuque dos teus olhos calmos a abalarem os alicerces do mundo e da hipocrisia, dos homens-poder,
recordo o homem-menino, mais que o poeta, mais que o trovador,
recordo o homem que se passeava em camisa de pescador e que libertava a liberdade ao som de uma guitarra-tambor…
recordo,
simplesmente o Homem…

Um abraço sentido, do zé para o Zeca*, homerm-menino que olhava a morte com a doçura de um sorriso…

*a Zeca Afonso, vinte anos depois...

Olhei uma palavra cheia de letras vazias, soprei-a e descobri uma pequena gota de um grito seco sem som, que corria, cega para o rio…guardei-a,

sem saber o que fazer dela...

Aqueci uma lágrima em fogo de alma, encontrei-a gélida de morte, entre as asas de uma gaivota, guardei-a bem fechada na minha mão, a passear-se na linha da vida...

voa no silêncio da musica, uma musa de asas-luz, zumbe segredos, cristais magoados, martelados nos montados.

o vento (visível)
falou-me nos olhos
e esvaziou-me de todos os passos ( que não dei…
sonho?
)
segredo que só eu sei
que não escrevi,
não desenhei ( cousa minha…
sonho?)

frágil,
sensível
vitral (invisível?)
estilhaços vagabundos,
palhaço-azul, com asas-de-bruma,
de um sonho ( impossível?)

Insisto em ouvir o voar e fundir-me nas memórias que vou pintando devagar, sem desenho. Não é cousa de brincar…é caminho de existir...

Está um urso deitado ao sol em cinzentos nuvem…gosto de me passear em nuveares. Encontram-se todas as fantasias que os olhos desenham sem cor .
A imaginação só tem cor em reflexos, misturados nas sombras que nos falam em segredos (de memórias irrequietas).

A musica da pele, mistura-se no odor da canela e do cachimbo-fumo, em azuis prata que inventam rumos…

Oiço os tambores que trovejam em gritos de alma,
Suspiros de sereia que se finge papoila de areia-coral,
desenhada num mural,
por um poeta-pintor que perdeu o olhar e a dor,
ao apaixonar-se, por essa flor sem corpo,
sem tons,
sem cor…
Oiço as lágrimas-da-pele, que escorrem da saliva da chuva,
nesta noite escura,
nos abismos sem sons
que os sorve,
num golo só,
o mar que a envolve…

O sol cai muitas vezes longe do azul, grávido d’horizontes. Nesses dias a gaivota só tem poesia de cinzentos...

por vezes penso ( ou procuro?)
o que se afasta de mim nos caminhos, entre-vazios, caídos num abismo de sentires…

por vezes fujo ( ou procuro?)
sentidos, fingidos de ventos…

por vezes escavo ( ou procuro?)
a escultura de uma sombra que se perdeu, escrava de ti…

por vezes procuro
nas letras que faço, o eu que há em mim…

assolou, em mim a estranha sensação de ter perdido o medo de cair, mas de o ter,( forte e incisivo) na vontade de me erguer...

Não sei
qual a verdade que se esconde na cal do labirinto que me sopra o vento,
se este céu que me rouba o ir,
se esta lágrima-de-chuva que me gela o sentir,
se esta andorinha que voa à procura de partir,
(Não sei porque insisto neste olhar vagabundo, como se fosse um desenho de criança por colorir…)
Ah, mas sei,
(sim sei)
o quanto vivo nesta ilusão de existir, seja qual for a verdade que descobrir…

vezes há que partimos na incerteza de irmos, firmes, inteiros presos na magia de não sermos ninguém…

Não queria estar aqui, sentado a voar sem mim,
( resta-me um fio,
cousa leve,
tecido de seda, preso aos olhos do universo
)
mas estou, (aqui),
a varrer os fragmentos de pólen e das pétalas que partiram à deriva de mim…

perdi o instante do tempo, ia distraído a pintar o céu de violetas. Tempestade do aqui, inteiro, sem mim…

O sol rasgou o céu e desfez-se em azuis, Só os pássaros o sentem, nos equilíbrios do vento
e as arvores, catedrais dos Deuses, fingem-se cristais, Sombras verdes a assobiar fantasias…
É assim o meu dia,
ser
na melancolia de me perder no instante que antecede o amanhecer…

nos tempos em que sonhava ao amanhecer, ouvia os sons da alma em formas de lágrima, vezes havia, que se transformavam num violino doido,

dorido, sofrido que desenhava histórias a fingir, e eu ia, não fingindo, fugindo,,,vivê-las...

Oiço-te, Chopim, desde o longe da memória,
violinos-de-sol de um menino-endiabrado…
Oiço-te, no sonho da história,
(fantasia minha, de ontem, de hoje, do agora)
agarrado à crina de um cavalo alado…
Oiço-te, violino-monge,
de olhos alagados,
em silêncios calados…
Violino-cigano
( piano?)
enfeitiçado…
oiço-te, nos passos, dados
d’uma bailarina de pano
que dança
no acordar de uma criança…

passeio no escuro a fantasia de ser o sol a brincar com aguarelas

Escondi a lua no olhar
e perdi-me no espelho,
a desenhar, (com o pólen,
fino
e colorido, das borboletas )
flores nocturnas ( cristais de prata)
numa noite sem estrelas....

Por vezes perco-me quando encontro o mar. duvido tudo,,, só o som do búzio me sabe falar. Não diz, não cala, transforma-se em ar

Ah,,,fosse eu a raiva deste mar-animal
e
saberia de cor, a cor deste azul-sal
que se entranha,
estranho, no abismo que se fende
neste sonho, real
de ser nuvem-sangue,
que se passeia
cega
no areal…
( para que fique claro
e
não se duvidem das cores que pintam e dividem as palavras, o areal que se diz, está encoberto de sementes de girasol que alimentam o farol, de amarelos queimados pelas estrelas que dançam e velam lentos, quais bailarinas vestidas de lençóis, coloridas de ventos)…

Desenho em pó de giz o que o vento me diz, pigmentos em chama que se gravam na alma, incompletos, imperfeitos,,,vivos

Parei para te ver
(de fronte)
para te desenhar
(ao pormenor)...

Só me falta um traço
( num único esboço que faço)
e
cor…

Espero que a gaivota passe
e
pinto o perfume da fonte que nasce,
esculpida na alma d’uma flor…

Só me falta um passo
para dizer “amor”…

Coisa simples,
um pouco de terra,
um beijo semente
sete lágrimas ( uma de cada cor,
sem dor)
e
sol
suave, quase ternura…

Simples
esta escultura
gravada em pedra pura...

Só me falta um traço
e
cor…


:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

o Palhaço de D. Quixote foi à China e ficou de olhos em bico

Entras de noite, sem sombras, negra, escura de perfumes suaves, a abraçar-me a ilusão com se colorisses a solidão do sonho

por vezes, à noite,
no silêncios dos pássaros
vejo-te
( em passos lentos)
e
oiço-te os olhos ( de
alabastros-negro)
a cantarem,
saudade
em sussurros baços
e
beijo-te
como se fosses
verdade.

Dias lentos, que se entre laçam na pele cavando interiores,,,cavernas sem fuga

agarrei no eu, com todo o cuidado

coloquei-o de fronte
e
fitei-o…

andei por ali, ao redor, de cima para baixo
e
em sentidos contrários,

ao lado…

estava estragado…

(fundo)

e, eu, ali, a olhá-lo,,, desfocado…

( subterrâneo,,,cutâneo, defecado de mim…)

...

( defunto?)

os olhos pensam, quando cegos, desenham quando secos, só depois choram…

Transporto nos olhos uma guitarra de silêncios…



Vazios



(Cigarra nocturna,
que ara a terra ao
som de búzios,
na sombra da lua,

que erra nos rios,
cobertos de hera.)




Transporto nos olhos uma lágrima da guerra…

agarrar o dia, com dedos pinça, quase afecto, carícia e pintá-lo com pincel d’agua abraçado pelo sopro leve das asas do vento,

é brincadeira minha quando o dia nasce perdido na névoa…

acordei em dia, pintado de pedaços,
(destroços,
insangues
langues,
mornos,
distantes
),
peguei nele. embrulhei-o em papel (de Natal).
guardei-o. pendurado no nevoeiro que apareceu,
matreiro, a colorir o papel…
aguarela?
pastel?
amarelo-real, castanho-mel!

o dia voltou,,, (na noite a seguir)…

eu?
não quis ir…

preso no pólen
a desenhar borboletas
(quase cor, a girar em carrossel, sem girafas de papel)

fiquei,
estanque,
a ouvir as asas, em movimentos de pincel…
( já ouviram o que dizem as asas a voar d’uma borboleta, desenhada no pó do pólen de um nevoeiro, sorrateiro de brisas lazulis? já?
oiçam com olhar gigante! parece sereia a cantar saudades do amante, sopro de vento navegante,
reflexo,
lágrima de diamante…
)

Jogava pedras, esculpidas para o céu, e imaginava-as nuvens, quando chovia punha-me a adivinhar em cada gota, qual a minha pedra colorida

o céu iluminou-se (de noite) com pingos de luz a derreterem-se em sonhos…
descobri um, perdido,
gasto,
(era meu)
já antigo,
lembro (eu)
de o atirar para o céu
era,
(ainda)
menino,
sonho traquino que brincava divertido com um amor-pequenino…
encontrei-o,
esbatido,
pó colorido
de um sonho
(já)
vivido…

tudo o que sou está do lado de fora, em formas de tudo, Pesa o-que-o-olhar-desenha e voa com o sentir…

dentro de mim não há nada, (som cego),
oco,
eco?
sonho?
o que tenho está,
na pena-d’asa-de-uma-cotovia, (no-olhar-que-pensa)
e
cai,
quase leve,
suspensa,
no dia.

Ando em equilíbrios instáveis, por entre linhas do horizonte, a brincar com destinos e acasos, indeciso de ser trovador de papel, ou almocreve,

que escreve indelével, a brisa que me leva o olhar...

durmo, pendurado no beiral do sonho,
águia-real,
que esvoaça em abandono
no vento solar
a navegar no sono.

encontrei, num dia em que passeava distraído, um céu vaidoso, que se vestia todos os dias a condizer...

(irreverente, dei comigo a pregar-lhe partidas a ver se o apanhava distraído ...)

desenhei em papel incolor, uma árvore,
azul,
partitura de chopin,
em tons de piano
e
de pain...

por ali fiquei
em sentido
a aguardar
( não sei se a ouvir se a ver) o nascer do céu, curioso de lhe sentir a cor, que trazia vestido…

A guitarra toca. Toca-me em som de sombras-de-aço. Quente de lágrimas de cansaço-dedilhado, sem espaço.

tenho sede (de ser)
guitarra que grita
e
agarra,
o amanhecer...

tenho sede (de ser)
trovoada (tambor alado),
cigarra,
adereço de palhaço-calado...

sede,
demente de ser,
(só)
semente,
laço sem nó
e
nascer,
pássaro-de-pó,
inacabado…

soubera eu falar de ti, e não desta cousa presente em mim, e as letras eram perfume, e o poema era lume, soubera eu olhar para ti …

olho o céu ( sem azuis)
negro de abismos
e
imagino uma flor
( gota de sangue, espinho de dor)
rasgo as raízes de mim, pedaços sem nome (escuro)
ventos de noite (sons de coiote,
poço sem muro)
risco a noite
(cinzelada, com traços fundos)
carris ( paralelos, sem fim)…
olho o céu ( sem azuis)
e
pinto, esculpidas no vento,,, aguarelas ( despidas de mim)…
falasse eu de ti
e
o
abismo
era chão,
com perfumes de alecrim…
olho o céu
( azul)
de verão
(profundo),
botão
de rosa sem jardim, (brava)
gravada nas ondas,
inacabada
gaivota tatuada em nuvens de cetim…

olho o espelho estilhaçado, ali, além, pedaços de estanho, palhaço estranho de mim

Sou,
Jardineiro de sonhos,
pintor de bancos,
brancos,
sujos de mim,
( nuvem acre,
palhaço manco,
vestido de Arlequim)…
Sou,
Saltimbanco,
vagabundo de sargaços,
cavalo andante,
feirante
andarilho do ali…
Sou
Ventos contrários,
pedaço de ti,
migrante,
aqui!

imagino-te escondida, entre a luz, jogo de olhares surrealistas, transparentes…sobreposições de pintor de nuvens, vestidas de sonhos

passou por mim uma nuvem divertida que se escondeu detrás da lua,
(linda,
intima,
nua!)

tempestades num céu que se olha pintado de ventos

respiro a liberdade de estar aqui,
preso em ti
a colorir sonhos errantes,
(rios sem mar, nem nascentes,
águas transparentes,
sem amante)
sozinho,
nesta fantasia
de navegar na tempestade de mim...

começa aqui, neste ponto ou em qualquer outro. o que conta é o instante

o desenho do horizonte não tem fim. começa aqui
e
foge,,,libertino,
ondulado em searas-do-ali…
ah,
fosse outra a luz que voa,,,além, a brincar em mim
e
o horizonte não era assim,
era gigante no sentir,
em tons de sonhos-de-arlequim...

fragmentos

Fragmentos, de um vazio, de um nada, de uma ausência, de um desencontro…
É este o Natal que sinto. Menino ao longe. Perdido.
Ando a perder o Natal. Dia a dia, a esfumar-se na indiferença de já o não sentir.
Há tantos outros meninos a desnascer, que me perco na direcção dos olhos.
Calo-me no silêncio à procura dos fragmentos. Passos,,, de nuvem, ou de neve? Frios-de-sons.
Tenho tantas imagens no olhar que me dói o ver.
Cego,,, Sigo, no meu silêncio.
Oiço o sopro, o suspiro, a lágrima. Oiço a lágrima que ensurdece (arrefece?) a humanidade.
Aqui. Agora. Oiço cada um dos gritos, cada fragmento que morre sem a cor de um beijo, de um afecto. Fragmentos de meninos sem Natal.
O Natal desta nossa época fecha-se na família, (núcleo primordial da Humanidade).
Desenho lentamente no sentir, um outro Natal, em que o núcleo central seja a própria Humanidade, sem fragmentos, num único sorriso Universal a comemorar a Vida…

Vou estar ausente, no silêncio de mim, sem data de regresso, porque há silêncios (quase rios) que me sussurram ausências…



_________________________________________________________

o palhaço de D. Quixote andou a jogar futebol...coitado!!!!

distrações

Passou por mim, uma nuvem de gaivotas coloridas ( de azul
e
amarelo)...
Caídas do céu
a chamarem por mim
e
eu,
( junto de Ti,
a sorrir de mim),
sem entender que me diziam,
"Vem por aqui…"

Misturei-me ( discreto) na vida
( quase flor-ao-sol)
quente de mim,
e
ando por ali, ou além
a olhar o que não vi....

sem jeito

Não entendo esta minha cobardia de me equilibrar sem jeito, no limite da vida ( só para me ver, sem medo de mim…),
no entanto,
sou
(afinal)
um quadro inacabado, devidamente assinado, pintado de azul e sal…

fronteiras de mim

Pisei a morte
no longe,
sem farol
(num dia que era meu por inteiro,
sem meio),
Ela,
não me quis,
(agarrado à semente),
cuspiu-me
com o vento
e
sal,
entre abraços de gente
e
Sol…

( dedico estas e outras palavras escritas e sentidas, às equipas do INEM, dos Bombeiros, Policia Marítima da Figueira da Foz e sobretudo a uma senhora , de nome Irene, que de binóculos,( curiosa de azuis) me viu a espreitar a morte junto ao horizonte, no dia 9 de Dezembro em hora que não era ainda,,, a minha…)

aveiro


Oiço o vento,
nas cordas-do-Sol,
e
desenho-te em linhas
(de cor),
mar
e
sal,
passos que foram,
(brisas)
entre moliços
e
cal,
passos
lentos
(meus)
que a vida me deu ,
e
me leva,
sem adeus…
pontes entre mim
e
o nada,
gaivotas que ficam,
suspensas,
paradas…

a dimensão de um sentir

tudo o que digo, cabe numa página em branco,
mas
o sentir que se escreve no olhar,
esse,
não cabe em mim,
anda por aí,
transformado em colibri…

as minhas inquietudes

Perguntaram-me, "o que mais te inquieta?", respondi (convicto),” a imensurável capacidade da humanidade para a indiferença…”
Depois da resposta,
(expelida, assim numa torrente, num sopro instintivo),
fiquei apreensivo,,,desinquieto, com a facilidade com que surgiu a palavra “imensurável
e
de me ter colocado, inteiro, dentro da humanidade…

passos de vento

passeio os passos
que faço
e
enleio o que desfaço,
em nó
e
laço…
só o dia
não passa
(opaco)
nesta noite sem asa
que embaraça
quem, distraído
passa
de lá,
da vidraça…
passeio os passos
que desembaraço
num jardim
(cerrado)
de flores-baças,
sem vaso...
por fim,
(depois dos passos)
entro em mim
( fantasma sem espaço)

linhas ciganas

abri a mão,
espalmada,
(qual folha seca-de-verão)
retirei,
(com cuidado)
a linha que lhe diz vida
e
desenhei
(com ela inteira)
uma borboleta,
de duas asas
(dividida)…
uma, azul,
outra, incolor
( como quem afasta a dor, dos passos em que caminha)
tinha,
duas asas,,,qual não tem?
uma, mar,
outra, amor…,

(borboleta,
ou flor?
não sei,
era linha de vida
que tinha escondida,
na palma da minha mão…)

almaro, 4 de dezembro 2006

(Ouvi o choro da montanha
numa calmaria.que me impôs
uma espera
um
momento breve
de reverdejar.a.vida
impiedosa é a sombra
que devora.a.luz
que resta
nas colinas dum olhar
........
de mãos abertas
linhas traçando
caminhos
por.onde.as.lágrimas
da montanha.[es]correm
no sangue
sente-se.inverno
completa a.paisagem
a cor azul
do voo.daquela.borboleta
e
na palma da tua mão
depositou
o.coração.de.um.segredo

betty branco martins, 4 de dezembro 2006 )

a intimidade do caminho

Fiz um buraco na terra (à procura de raízes),
Com as mãos,,,castanhas
(terra e mão. Uma presente, outra futuro. Ambas,,,terra!)
In apontamentos para um manual da serenidade, ou como o futuro se transforma naturalmente na intimidade do nosso caminho, ou como caminhamos distraídos, mas sempre com o Um no olhar…



************************

O palhaço de D. quixote, continua a teorizar absurdos>

sem cor

Pintei uma guitarra,
abraçada
a
uma
mulher…
O cabelo,,,longo,
é
mar
e
cordas de sol,

(quase jarra
em flor)


o fundo, do quadro,,,gaivotas
e
vento…

(a guitarra
e
a mulher,,,vibram em linha única, contínua de sons-de-aço…

Só me falta a cor!

…de que cor,
se pinta um abraço?)



*************************
o palhaço de Dom Quixote, voltou a asneirar com teorias absurdas

geometrias

O circulo é externo ao quadrado.
O quadrado só lhe toca em quatro pontos.
O circulo e o quadrado,,,têm um único ponto, que sendo de ambos, os vê do centro.
Gosto do circulo, mais que do quadrado.
Caminhando no circulo pertenço ao quadrado, e ( no entanto) estou fora dele, e sei que há um único ponto que está no olhar que lhes deu origem...

amadeu


mergulhei no quadro,
esquecido da cor,,,apenas para o viver, no instante em que a linha e a cor eram mão de poeta...

[devia existir uma graduação de poetas
e
a mais nobre ser,,,pintor, porque ele,

( mão, olhar ou o que for),
DIZ,,, um poema sem qualquer palavra,,,as palavras surgem a quem o olha transformado em cor...]

sentido nos passos de uma visita à exposição
Dialogo de Vanguardas que decorre na Fundação Calouste Gulbenkian

Quadro de Amadeu Sousa Cardoso / Casa de Manhufe

(in)definições do abstracto

a poesia com rima
é
uma escultura, cinzelada com a paciência do escopro que a (des)enforma, a outra , a que se escreve livre,,,com o sentir e o instante,
é
pintura,,,mancha de cores, sem forma…

porque não me largam,,,as perguntas?

(ah!),
escrever esta solidão que sinto,
é
labareda que se extingue,
caruma ardida,
desenho-nuvem,
pluma,
do que já fui,
(arvore?)
(perfume?)
(quimera?),
(ah!)
quem me dera,
ser gume
e
não
esta cousa informe
sem lume…
(folha,
caida
de hera?)...

inquietudes do silêncio

rasgo céus de papel
seta-destino,
saltimbanco-manco-de-carrossel
(cavalo-ferido)
nas voltas
(perdidas)
de
um
pião
de
cordel...

rasgo-a-folha-de-céu,
amarrotada de tinta
negra
(colorida?)
véu
enrugado
de letras
sem pincel…

cerro as mãos
sem a força de querer ser
(criança?)
(oração?)

água que ferve
em mim
(nuvem-rio)
que tropeça
(no vento)
em
buliço
do não existir,
( inquieto de não me sentir…)

horizonte-sintese,,,de mim

Escrevo,
na melancolia de um sonho,
(imagem-desenho)
luz-de-pedra
(feldspato e mica)…

Fecho-me de olhos,
como quem entra no Sol,
e
fica,
(esquecido da vida)…

Pinto o azul,
em pó-de-giz
(sopro de mim)
só!

( diz,
o que sou?)

Gaivota?
não, ela voa
e
eu,
aqui,
imóvel…

Horizonte?
não, ele equilibra-se no profundo-visível,
e
eu,
olhar-possível…

Sonho?
Ah,
sim, girasol-raiz
( incompleta
de mim)…
alma concreta,
pedra,
(feldspato e mica)
aquarela,
tinta,
nuvem,
em azuis carmim…

a transmutação de uma perda, no vento que a abraça

Apetece-me parar. Não o tempo, nem os passos. Parar. Sentar-me na sombra e sentir o vento. Ouvir o vento. Só parado o oiço, na lentidão dos vazios. Quebrou-se em mim a magia da criança que andava por aí escondida, inquieta. Sem ela perdi o sentido e as cores da fantasia. Sinto a traição de mim a abraçar-me o olhar. Pedaços quebrados do que vivi no desencontro dos meus silêncios. O vento, transporta-me para o Universo, liberta-me do que não sou, transforma-me no que sou. Não sei quando volto. O importante, no hoje, no agora que me prende, é decidir. Sem lamentos nem angustias. Sei que aqui sentado junto ao vento, me movimento.
É esse movimento que me persegue, como se a vida mudasse de rumo sem eu ter dado conta, inebriado pela criança revolta de entusiasmos que me contemplava os passos. Tive vários desmomentos destes, na vida que me traçou o passado, próximos de um réptil que muda de pele.
Sou hoje, mais próximo de uma pedra, que parada sente o mundo sem o procurar descobrir…
Descobrir implica vontade, impõe uma disciplina de descodificação da vida, para a qual perdi a vontade de ir.
Cada passo que dei, esvaziou-me o sentir, pela intensidade de o viver. O corpo cansou-se e a memória perdeu-se no desencanto da cor.
Decidir parar, é um passo lúcido e irreverente.
Oiço a respiração do Universo, deste ponto em que cansado me sentei a dormir de sentires…
Há momentos em que sentimos uma necessidade vital de nos libertarmos de nós próprios, de um eu que nos prende o olhar, que nos desfocaliza o ego e, distraídos nos deixamos esvaziar do mundo.
Tenho sede de não me ser. Tenho fome de me libertar do meu eterno desassossego.
Estranho este dessentir, este imobilismo de me ser., mas aqui, sentado em pedra, fogo arrefecido, oiço o vento, na pele que se despinta de mim…
Hoje é um dia inteiro sem tempo…

distracções

Choveu,
gotas translúcidas de Destino

(eu?)

Andei por aí,,,distraído,
afogado em Tempo,
não O olhei,
não O vi
(tão pouco,
O
senti…)
e
Ele ( Destino),
foi por aí,
em sarjetas, para o rio…
(ah!, tivesse eu sabido e não O tinha perdido,,,Bebia-O!

Choveu,
andei por aí,,,distraído,
preenchi-me ( por inteiro ) de vazio,
qual copo de água (cheio), translúcido, sem cor!
Fingi-me
( grão d’areia-de-Universo),
e
deixei-me
cair,
em mim,
(inteiro),
desabitado
de cor...

na sombra do tempo

Olhei o dia,
de frente,
(…arde um fogo calmo,,,quente…)
em desafios irreais…

Agarrei-o,
no alto
e
preguei-o, para que ficasse, ali, de parede, pintado em memórias…
(como quem colhe uma flor, na ilusão de transformar,,,a jarra)…

Olhei-o, fixo, despregado de mim…

(De que vale ficar frio,,,assim?, descontínuo de passos, perdidos no Aqui?)


Por vezes, acordo assim, sem vontade de me passear no dia, permitindo que ele escoe, sem o olhar, sem lhe gravar passos.
Nestes dias, o tempo torna-se omnipresente com uma intensidade gigante, abraçando-nos numa angústia que nos paralisa os respirares.
Cair na tentação de não viver o dia, é mergulhar num abismo de silêncios.

Quando assim é resta-me vagabundar com a lentidão dos passos indecisos, para que o dia não pare dentro de mim e me atrase os futuros…

in sangue

Trinei na guitarra
( Raiva!),
de me ser assim,
( silêncios),
sons,
(d’ aço)…

Só assim me oiço,
( voz!)…

Toquei,
(sangues),
Golpes,
nos dedos-da-alma
(ferida!)…

Grito,
que se liberta
(perdido!)…

palavras d'outonos

Desenraizei palavras,
(ás folhas),
letras,,,trituradas,
(suicidas)
rasgadas,
caídas,
em gotas-de-tempo,
(dissecadas)
de sentidos…

Palavras,,,ditas
no escuro-do-som,,,(a assustar os silêncios).

Referências,,, pontuais

Devemos ouvir os Mestres, apreender com intensidade as direcções do seu olhar, pois só com a insistência lhe captamos os sentidos,
e
é com ela (insistência) que ganhamos a capacidade de os contrariar
e
contrariando-os, evoluirmos, nós e eles…

In “ apontamentos para um manual da serenidade,
ou
como o acto de contrariar nos obriga a escolher outros pontos do olhar ( Ao deslocarmo-nos para nos fixarmos no novo ponto, caminhamos e caminhando evoluímos,nós porque olhamos de outro ângulo, eles porque olharam para nós com a curiosidade de saber…).

prisões

Sentes necessidade de abrir uma janela, quando te escondes atrás de um muro, ou se dele quiseres fugir…


In” apontamentos para um manual da serenidade",
ou
como, por vezes uma janela, esconde a nossa prisão, mas não o nosso olhar,
ou
como, a janela é simultaneamente a nossa necessidade de prisão e de liberdade, porque quando te expões a uma liberdade intensa procuras o muro de um lar, e quando te deparas confinado a este, abres uma janela para veres o Mundo que te liberta o olhar...)

(In)definições desajeitadas do olhar

O Outono, é uma espécie de primavera das folhas. Matizes quentes de dias frios que choram lágrimas de nuvens (escuras).

( é
a estação das árvores, com sombras coloridas, reflexos de estrelas que se colam ás folhas que viajam…)

o equinócio das árvores-que-caminham, rastejantes no chão, sopradas na cor do sol-que-se-deita…)
( é
o sentir,,,vagabundo, das raízes que assobiam sussurros de terra húmida…

( nota: não gosto de definições, porque não gosto de limites, gosto de imagens, porque as imagens mudam consoante o ângulo, a luz, e o instante do sentir. Tudo o que escrevo, é por isso, uma (in)definição. Talvez um desenho, que se “esquiça” enquanto o olhar se perde no sentir... )

sombreados de chuva

O céu pintou-se de chuva,
(pesada?)
lágrimas-negras-por-chorar,
(sombras?)
compactas-de-chumbo,
(cansadas?)
a esconder horizontes-de-poetas
(lamentos?)
a voar com a lentidão dos ventos...

Confuso que baste, por isso só deve ser lido por mim ( em voz baixa, e pausada, não vá baralhar-me!)

Ser,,,(ou ser-me no existir, no ver…) tonto (doido, é palavra forte, mas admite-se, apesar de não gostar da palavra, porque espelha doença e não me sinto), foi a forma ( formula?) que encontrei para olhar o Mundo.
Isto de saber o Mundo tem que Ser devagar ( com vagar,,,puxando o tempo para que tudo caiba,,,no olhar) ( só um tonto,,, lança corda ao tempo ( os outros, os não tontos , dão,,,corda) e o puxa e puxa, só para ter o prazer de ver TUDO!) ( doido?, Talvez seja a palavra certa,,,doente é que não, que doente fica sem forças e está visto que puxar é cousa d’outro Mundo)…
Ser,,,devagar,,,ou ir, não é perder o Mundo, ( é alcançar?), muito menos Ser,,,passado. Não! Ser,,,devagar,,,é olhar o Amanhã focado! Nítido! Como quem pula ( salta?) para o instante e o prende para o ver.
Ser,,,devagar,,,é olhar ( também) para trás e ver o passado a aproximar-se dos olhos, em vez de serem os olhos a irem ao encontro dele ( porque os passos, já foram no silêncio de irem,,,devagar,,,para diante ( resultado de saltarem por de cima do instante!)…

Ser,,,tonto ( ou Ser,,,devagar), foi a forma que encontrei de me unir ao UM, no instante exacto que somos ( em simultâneo ) Passado , Presente e Futuros ( que isso de futuro único é cousa que não se pode dizer ao destino, que é teimoso e sarcástico.Gosta da sua liberdade por inteiro, e de baralhar tudo de uma só vez, numa só jogada!) .

parar,,,o tempo

Ele ( cousa estranha esta, de chamar ao Eu,,,Ele !) voltava todos os dias, ao mesmo instante (*),,,ao mesmo lugar, para ver o Sol desfazer-se do dia, no Mar. Dia após dia,,,na ilusão de assim, parar o tempo. ( como um fonte luminosa, que se ilude pintar a água em caleidoscópios infantis, e no entanto (a agua), continua translúcida, lúcida de transparências puras…)

(*) voltava, não à mesma hora,,,que o Mundo tem artes bizarras de andar por aí “vagueante” sem respeito por horas ou relógios, o mesmo instante, é o do “desdormir” da noite, aquele em que o Sol se “des(h)orizonta”...

retrato

Auto-retrato, em esquiço cubista ( letras e números…ENORMES, a escorregarem entre cacos de espelhos multicolores ( com Outonos de plátanos no meio), sete pontos de fuga, (uns tantos de corrida, com a instabilidade da irrequietude de um reflexo a reprimir ecos) e olhos quanto baste) ...

( quadro pendurado na linha do horizonte, pelo que só é visto do lado de lá, ou de tempos para o ar...a dois terços da linha, junto ao ponto de ouro, que isto de dimensões do eu tem que se lhe diga. digo eu, para ficar dito);

( claro que a imagem se distorce,,,a linha abre vala, em V(ê) , qual caleira do oceano, que escoa no Universo, culpa da irrequietude de se pendurar um eu feito quadro-retrato-quadrado ( pesado) na linha do dito, que o deixa de ser, por ficar, V(ê), que se vê de olhos vistos.)

"Sou esta cousa informe, com a liberdade toda de me viver sem nome (sozinho no eu) "

( o melhor é calares a escrita, Já. agora...)

silêncio...ele está calado, a rir-se todo nos olhos!

fim do retrato, falta só pintá-lo! ( no silêncio das cores, quadradas, de cubo, em sete pontos de fuga, presos no cavalete de um anartista inconformado com o espelho)

nota: estado de alma confuso provocado pela leitura do António que não quer ser António quando escreve, mas que é por ser o António ( Lobo Antunes), e não outro que se lê...

Socorro, acordem-me, desta insónia de espelhos e de labirintos, e de retratos, e de desencontros, já me basta um eu distorcido por sete pontos de fuga!

as diabruras de mim

A minha memória é irrequieta, ( endiabrada, digo eu, que a persigo feito tonto-saltimbaco, como quem procura agulhas, por sombras desnavegadas…) despega-se de mim e anda por aí na memória dos outros!

( pergunto-me, desprendido de resposta, se a memória são só lembranças que nos habitam os passados, se cousa outra,,, que deslembramos, mas que já vivemos inteiros e que anda por aí a esvoaçar futuros?)

os silêncios do lapis

…procuro o silêncio,,,longe de mim. sou ruído fundo. defunto. infindo. AQUI.
…procuro o longe,,,horizonte-monge do ALI.
…leva-me leve,,, o mar, para TI.
…silencio(s),
…angustia-ausente que VIVI.
…rimas.rumos.ritmos.muros.labirintos-d’aquém-em-asas-de-colibri.brancas, lazulis,,,lápis d’anjo, silêncio(s) de MIM...

forma de pedra

Esculpi
( escrevi?)
uma pedra,
como quem guarda
( grava?)
uma ferida.
Feri-a.
Fria.
Sombra de rio…
Gravei numa pedra,
um palhaço,
d’aço
que ria.
Fria. A pedra,,, informe de mim

frios

Tenho as mãos frias,,,de agarrar o sonho.
Só os olhos insistem em abraçar o fogo…

interrogações d'alma

Entornei a alma num copo d’agua* ( dissequei-me?)
e
abandonei-a-ao-sol,,,a evaporar-se,,, no nascer da noite…

*Copo d’agua = estado d’alma confinado ao eu? alma saciada que se volve em água? Aprisionamento d’alma?


(ponho-me a imaginar, de olhos escondidos, a cor,,,(da agua? da alma? ) a evaporar-se no nascer da noite...é um gosto que tenho, mimetizar-me na cor que se evapora, pura de mim, a renovar-me no dormir da noite...)

movimento(s) do absurdo

Não gosto da angustia. De senti-la,,,ou vê-la. São razões várias; não lhe sei cor,,,desenho,,,ou resposta, mas é ela que me inquieta…
Ela,,,é,,,o meu vento…

In”apontamentos para um manual da serenidade” , ou como o importante é orientar os nossos passos, seja qual for o sentido do sopro da nossa angustia…

distracções

Pintei uma aguarela inteira, em tons de cinzento ( cinzas da cor,,, sombras d’azul?)
e
no lugar do nome (esquiço que desenha o estado d’alma do pintor) escorregou uma lágrima. única. rubra! grito incolor de quem, em vez de sonhar uma flor, deixou incauto cair a dor…

acasos, ou (ainda) a teoria do UM

O acaso é cousa inteligente,,, como o UM
Só o Um tem arte (engenho?) de abraçar tudo
e
continuar com o movimento…

maturidade(s)

Comprei um livro, para crianças. Não o li ( ainda) …
Está ali.
Na estante.
Só!
Colorido ( a sorrir-me em sussurros divertido),
de pó
Não chegou ( ainda) o instante
de o sentir…
Há um momento( destempo) certo para tudo…sobretudo para colorir um livro para crianças ,,,sem fingir…


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serviço noticioso

o palhaço de D. Quixote actualizou o seu espaço com uma teoria absurda (quase imbecil)

confidências...

Ouvi,
em marulhos de névoa, uma gaivota inquisidora:
Que fazes? Perdeste-te?
Olhei-a,
enroscada-nos azuis
e
procurei-me na resposta…
Voo!”,,,disse-lhe convicto-de-evidências…
Sim, eu sei,,,mas que fazes aqui? Perdeste-te?” Insistiu ela em esgares trocistas…
Não sei…provavelmente procuro…” disse-lhe irrequieto
e
já sem voo! ( perdi-me, pensei,,, em certezas só minhas…)

a fisica da alma (?)

Penso,,,com o ruído das palavras a irromperem o silêncio,,,penso,,,não sinto, porque o sentir não as tem (palavras),,, é físico!

quero

Não te sei nome, nem história, vagueias por aí no silêncio de um grito. Conheço-te na angústia da dor que não se ouve. Na verdade não tens nome, porque nome nasce na família e, se a tiveste, perdeste-a no silêncio do teu grito. Queria saber o teu nome. Temos o hábito animal de só chorarmos os nossos, e só os nossos tem nome e rosto, só os nossos não são número, e os números não causam dor. Só os grandes números incomodam, mas gritam em silêncio, e tu és apenas um, e não tens sequer rosto. Já ninguém vê o olhar que escondes na sombra do Mundo. Quero saber o teu nome, e os outros todos que o não tem. Quero olhar os teus olhos e todos os outros que já não tem lágrimas. Quero-o saber porque sou animal, e os animais só choram os que lhe são próximos.

Resposta em silêncio ao alquimista
e à Betty

fotografia original de Finbarr O'Reilly ( esta foto foi alterada por mim sem autorização do autor, o original, sem desfocagem será resposto caso o autor, ou quem o represente assim o manifestar)

transformações

Sonhar,
é colorir o imaginário que nos invadiu o olhar. Não é iludir,,,é transformar.
Assim,
um sonho,
é cousa concreta, mutação do real, esculpido no sal e no vento, que se vive com a intensidade do sentir….

pisar,,,silêncios ( parte II)

Icei um muro-de-azuis, na quietude dos silêncios, pisados,,, dos passos da
(des)-sombra-do-eu, como quem bebe o céu,,, a iludir que esconde a noite…

pisar,,,silêncios ( parte I)

Larguei (abandonei?) a vela ao ar. Queria (eu?) andar ao de cima dos silêncios, como quem se esconde,,, sem pergunta…
Larguei-me (abandonei-me?),,, no espelho,
estilhaço de vento
que ecoa na gruta,
onda,,, nua,
defunta…

na nudez de um eco

o navio partiu. fiquei. a tecer redes de mim,,, ( ecos,,, de ti)

(so)rio-me em ti, ria...

...a paisagem lagunar que me rodeia o horizonte, é azul-de-vento,,,quase mar...

monólogos do eu

Não vás! ( disse-me)
Já fui! ( disse-te)
Que pena! ( disse-lhes)

pequenos,,,pontos

Papá, papá,,,Olha! O céu está todo furado,,, Olha Papá,,,Vês? Vês todos aqueles pontinhos de luz? Vês? Consegues imaginar o quanto deve ser enorme a luz que se esconde na noite para de-lá do céu?

Sabes, Papá,,, agora já sou capaz de desenhar o horizonte
e
guardá-lo inteiro no olhar…

hoje, na cidade que me habita nos passos

A cidade cheira a flores,,,mortas, decompostas em aromas agridoces, retracto de uma cidade desinquieta, paralisada de futuros…

o jardineiro da noite

Cruzei-me com um jardineiro,,,varria palavras, uma-a-uma para a terra, com o cuidado todo de quem acaricia (semeia?) uma flor.

Disse-me em surdina que

“…plantava histórias. Que o seu jardim estava a transbordar de histórias, em vapores de poemas. Que era ,,,( o seu jardim), uma floresta que só os pássaros e as borboletas ouviam.”

Disse-me ( ainda) em segredos que

“…passava a noite a esculpir palavras-semente”

e que andava na ideia,

“…de esculpir a mais maravilhosa das sementes”

mas que

“…só lhe sabia ( ainda) o Nome!"

Chamava-se,

“…Humanidade”,

disse ele,,,
mas que (ainda) não sabia

“…qual a forma que haveria de lhe dar. Um pequeno nada e deitava tudo a perder"

podiam os pássaros,,,no desleixo dele

…deixar de cantar
e,,,
enlouquecer…"

metafisicas coloridas

Andei a passear “pensares”, ( meus e outros ). O dia todo. Foi a forma encontrada de ensinar-lhes a VER as cores.
Disse-lhes (convicto) "que não se devia dar-lhes significado para que não perdessem o brilho de ser cor…
Uma cor com significado perde a capacidade de se misturar com outras. Só na mistura nasce uma cor nova
e

uma cor-nova não tem nome,,, muito menos significado!
Uma cor-nova tem toda a metafísica do Mistério!
"
Ficaram mudos, num silêncio de insulto, por isso larguei-os de trela até que se esfumassem em nuvens. Vezes há que é preciso deitar fora todos os pensamentos ( nossos e d'outros) para que nasçam outros ( nossos) . Novos!

o salto

Papá! Papá! Vamos correr!..Vamos?..Vamos Correr MUITO!,,,Queria tanto saltar para dentro do Universo e ele vai ali á frente,,, anda Papá, depressa,,,corre. Corre muito,,,(Já!)

medidas (in) variáveis

Só há distância na presença da luz, a que se sente no escuro, tem a exacta dimensão da nossa inquietação…

teorias do ponto (II)

A intersecção de todas as linhas num ponto, não o torna maior do que aquele que resulta da intersecção de duas linhas, apenas o transforma em Centro!
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